Bank of America aposta em alta de 20%, HSBC seguE otimista, mas KeyBanc alerta para risco de queda até 23% — tudo depende da recepção ao primeiro iPhone dobrável da história da empresa
As ações da Apple chegam ao evento "Surprise and Shine", marcado para esta quarta-feira (9) no Apple Park, em meio a uma das divisões mais acentuadas de opinião entre analistas de Wall Street dos últimos anos. Enquanto bancos como Bank of America e HSBC mantêm recomendações de compra com alvos bem acima da cotação atual, a KeyBanc Capital Markets segue na contramão, com uma avaliação que aponta para uma possível desvalorização superior a 20%.
O evento marca a primeira grande apresentação de hardware sob o comando do novo CEO, John Ternus, que assumiu o cargo em 1º de setembro. Ternus sucede em um momento decisivo, já que a expectativa é que a Apple apresente três novos modelos de iPhone no palco: o iPhone 18 Pro, o Pro Max e o primeiro smartphone dobrável da marca, provavelmente batizado de Ultra ou Fold.
Otimistas apostam em até 20% de valorização
O analista Wamsi Mohan, do Bank of America, manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 380, o que representa um potencial de valorização de cerca de 18,8% em relação à cotação de referência de US$ 319,97. Segundo o banco, a atenção dos investidores deve se concentrar em três pontos centrais: o lançamento do primeiro iPhone dobrável, os aumentos de preço na linha Pro e a decisão de empurrar os modelos mais baratos para a primavera do próximo ano.
Relatos da imprensa citados pelo banco indicam que o dobrável pode chegar ao mercado por US$ 2.099 na configuração básica — o que o tornaria o iPhone mais caro já vendido pela empresa. O Bank of America também projeta aumentos de US$ 150 a US$ 200 nos modelos Pro e Pro Max, atribuídos ao encarecimento de componentes de memória e armazenamento.
A HSBC caminha na mesma direção. O banco reiterou recomendação de compra e manteve o preço-alvo em US$ 366, mesmo diante das incertezas sobre a nova política de preços da Apple. Segundo a instituição, o novo dobrável — possivelmente chamado de iPhone Ultra — deve custar mais de US$ 2.000, enquanto os modelos Pro e Pro Max devem ficar cerca de US$ 200 mais caros que a geração anterior.
KeyBanc vê risco de correção de até 23%
Do outro lado da mesa está a KeyBanc Capital Markets, que mantém uma visão consideravelmente mais cautelosa sobre o papel. A instituição manteve classificação "Underweight" (abaixo da média do mercado) e preço-alvo de US$ 250 — o que, frente à cotação recente, representa um desconto de cerca de 23%.
A KeyBanc projeta uma produção combinada de cerca de 80 milhões de unidades do iPhone 18 entre o quarto trimestre fiscal de 2026 e o primeiro trimestre fiscal de 2027, ante aproximadamente 91 milhões de unidades no mesmo período do ano anterior. A instituição estima ainda preços de US$ 1.249 para o modelo Pro, US$ 1.399 para o Pro Max e US$ 2.199 para o dispositivo dobrável.
Para a KeyBanc, o principal risco não está apenas no preço em si, mas na reação do consumidor a ele. Segundo a casa, a Apple enfrenta um dilema: aumentar os preços de forma ampla para proteger as margens brutas — o que pode reduzir volumes de vendas e provocar rejeição do consumidor — ou reajustar valores de forma mais seletiva, o que exporia ainda mais as margens ao escrutínio dos investidores.
A firma também recorre ao histórico recente para justificar sua cautela: nos últimos cinco anos, as ações da Apple registraram queda média de 0,72% no dia do anúncio de novos produtos e de 1,22% cinco pregões depois.
O que está em jogo para o investidor
Do ponto de vista técnico, a ação da Apple chega ao evento com a tendência de alta de longo prazo ainda intacta, mas com o momentum contido abaixo de uma zona de resistência considerada crítica.
Manter o patamar entre US$ 310 e US$ 312 preserva a estrutura altista, enquanto uma recuperação até a faixa de US$ 330 a US$ 335 fortaleceria o movimento. Um rompimento consistente da resistência entre US$ 340 e US$ 345 poderia abrir caminho para os US$ 360 e, eventualmente, para a faixa de US$ 366 a US$ 380 defendida pelos bancos mais otimistas — mas uma reação fraca do mercado poderia levar a realização de lucros em direção aos US$ 300.
O fator decisivo, segundo os analistas, será a resposta do consumidor ao dobrável Ultra/Fold e à nova política de preços da linha Pro. Um produto de sucesso comercial, mesmo vendido em volumes menores, pode gerar receita significativa por unidade — validando a tese otimista de bancos como BofA e HSBC.
Uma recepção fria, por outro lado, reforçaria os temores da KeyBanc sobre pressão de margem e queda de demanda.
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