Putin acusa o Ocidente de "roubar" mercadorias russas

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou ontem os países ocidentais de "roubar" mercadorias congeladas russas apreendidas durante a invasão da Ucrânia pela Rússia, alertando que as medidas não funcionariam.

"As violações das regras e regulamentos do setor financeiro e do comércio internacional não levam a nada de bom. E, em termos simples, só trará problemas para quem o fizer", disse ele, durante uma videoconferência no Eurasian Economic Fórum em Bishkek, Quirguistão.

"O roubo da propriedade de outras pessoas nunca ajudou ninguém, especialmente aqueles envolvidos neste negócio ilegal", enfatizou Putin.

As declarações do presidente russo vieram dois dias depois que Estônia, Letônia, Lituânia e Eslováquia pediram aos homólogos da União Europeia (UE) que usassem os US$ 300 bilhões em ativos detidos pelo Banco Central da Rússia. reconstrução da Ucrânia.

No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, no Fórum Econômico de Davos (Suíça) disse que a UE "não deve deixar nada de fora" - incluindo, se possível, o uso de bens congelados - em sua visita de ajuda a Ucrânia "saindo das cinzas".

Além disso, a CE divulgou na quarta-feira propostas para a apreensão de bilhões de russos que tentam quebrar as sanções europeias, por exemplo, removendo seus barcos da UE ou mudando a propriedade de mercadorias.

O comissário europeu de Justiça, Didier Reynders, acrescentou que a UE incentivou os países a transferir o valor dos bens apreendidos para um fundo de ajuda militar na Ucrânia.

"É impossível dividir a Rússia"

Vladimir Putin alertou ontem que é "impossível dividir a Rússia", referindo-se à punição de seu país pela ofensiva militar na Ucrânia, e enfatizou que nenhuma "polícia mundial" suspenderia sua independência.

"Sim, entendemos os grandes benefícios tecnológicos (...) de estar em uma economia desenvolvida. Não vamos desistir. Eles querem nos tirar de lá. -a cidade do Quirguistão.

O presidente russo ressaltou que "ninguém será capaz de dividir a Rússia", criticando os países ocidentais por exigirem que todos "compartilhem suas opiniões".

Putin enfatizou que ignorar os interesses estrangeiros no setor político e de segurança "leva à agitação e cria crise econômica".

O dirigente russo explicou que nos países economicamente desenvolvidos, há 40 anos, não se registavam as actuais taxas de inflação, enquanto o desemprego aumentava, salientando que "os problemas globais estão a agravar-se em áreas como a insegurança alimentar".

Putin criticou o Ocidente por tentar "conter e enfraquecer" os países que querem seu curso.

"Nenhuma 'polícia mundial' será capaz de deter esse processo de desenvolvimento. (...) Não há poder suficiente nele e, devido a problemas internos, eles perderão o desejo de fazê-lo", argumentou Putin.

Com a saída de empresas estrangeiras do mercado russo, Putin disse que a situação pode ser positiva.

"Muitos de nossos parceiros europeus anunciaram sua saída. Se olharmos para as empresas saindo... talvez ainda melhor assim", brincou o líder do Kremlin.

As últimas empresas a deixar o mercado russo foram a loja de roupas britânica Marks & Spencer, a rede de fast food McDonald's, a seguradora Zurich ou a Renault.

Cerca de 1.000 empresas estrangeiras deixaram o mercado russo em três meses de intervenção militar russa na Ucrânia, segundo dados da mídia russa.

Só em Moscou, mais de 300 empresas estrangeiras pediram demissão, segundo o gabinete do prefeito.


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