O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou esta quinta-feira a expulsão de cinco diplomatas portugueses do país, como "retaliação" pela expulsão de dez funcionários russos de Portugal.
"O embaixador de Portugal em Moscovo foi esta manhã convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, informado do despedimento de cinco funcionários da embaixada, que terão de deixar a Rússia no prazo de 14 dias", anunciou o Palácio das Quintas-feiras. Necessidades, em comunicado.
“O governo português está anulando a decisão das autoridades russas, que não têm motivos para retaliar. Ao contrário dos funcionários russos expulsos de Portugal, estes funcionários nacionais exerciam atividades cooperativas, em pleno cumprimento da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, acrescenta uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
A expulsão era aguardada por Portugal. A Rússia anunciou na quarta-feira a expulsão de 27 embaixadores espanhóis e 24 italianos em retaliação por ações semelhantes tomadas por ambos os países após a invasão da Ucrânia. A informação foi publicada pelo MNE da Rússia depois de anunciar que mais uma vez demitiria 34 estrategistas franceses e um dia depois de decidir demitir dois políticos finlandeses. O número de políticos espanhóis e italianos agora considerados persona non grata é o mesmo que o número de políticos russos que os governos das duas nações europeias expulsaram de seus países em abril.
A demissão foi legal. O MNE da Rússia forneceu ao MNE português uma lista de cinco políticos que seriam expulsos, assim como em abril, Lisboa forneceu a Moscou uma lista de dez funcionários russos que tiveram que deixar Portugal.
A embaixada de Portugal em Moscovo tem 11 embaixadas, que partilham o edifício onde estão a chanceler e o consulado. O MNE não quis divulgar o cargo ou o nome dos embaixadores demitidos.
Como o PÚBLICO continuou ontem, Lisboa aguardava a qualquer momento notícias do despedimento. "Deve estar perto", disse um alto funcionário do Palácio das Necessidades.
O que se esperava da Rússia expulsaria políticos portugueses do mesmo nível dos russos demitidos, neste caso, todos sob os embaixadores ou chefes de missões. No entanto, o governo português insiste que, “ao contrário dos funcionários russos expulsos de Portugal”, os diplomatas portugueses realizam “fortes atividades diplomáticas”.


