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Bebê é operada ainda dentro do útero para remover tumor e nasce saudável

Cirurgia fetal realizada nos Estados Unidos em 2016 tornou-se um caso marcante da medicina fetal e demonstrou o avanço de procedimentos capazes de salvar vidas antes mesmo do nascimento.


Em 2016, uma equipe especializada do Texas Children’s Fetal Center, nos Estados Unidos, realizou uma das mais delicadas intervenções da medicina fetal ao operar uma bebê que ainda permanecia dentro do útero da mãe.

A bebê, chamada Lynlee, estava na 23ª semana de gestação quando os médicos identificaram um tumor potencialmente fatal na região do cóccix. A condição, conhecida como teratoma sacrococcígeo, é um tipo raro de tumor que pode crescer rapidamente e comprometer o funcionamento do coração do feto.

Diante do risco à vida da bebê, a equipe médica decidiu realizar uma cirurgia ainda durante a gestação.
Uma cirurgia extremamente delicada
Para ter acesso ao tumor, os cirurgiões abriram cuidadosamente o útero e retiraram apenas a parte inferior do corpo da bebê. A maior parte do corpo de Lynlee permaneceu dentro do útero durante o procedimento.

Mesmo parcialmente exteriorizada, a bebê continuou ligada à placenta e recebeu oxigênio e nutrientes por meio do cordão umbilical. Dessa forma, a equipe conseguiu realizar a intervenção sem interromper completamente a gestação.

Entre os profissionais envolvidos estava o cirurgião pediátrico nigeriano Oluyinka Olutoye, integrante da equipe responsável pela complexa operação.
O procedimento durou aproximadamente cinco horas.

Durante a cirurgia, o coração da bebê chegou a apresentar uma desaceleração, aumentando ainda mais a tensão entre os profissionais. A equipe conseguiu estabilizar Lynlee e prosseguiu com a operação até conseguir remover o tumor.

Após a retirada da massa, os médicos recolocaram cuidadosamente a bebê dentro do útero. O útero foi então fechado para permitir que a gestação continuasse.

Doze semanas depois, um nascimento saudável
A intervenção conseguiu prolongar a gravidez por mais 12 semanas. Quando chegou à 36ª semana de gestação, Lynlee nasceu sem complicações relacionadas ao procedimento fetal.

O caso chamou a atenção internacional por demonstrar o potencial da medicina fetal e a capacidade da tecnologia médica de tratar determinadas condições graves antes mesmo do nascimento.

A cirurgia também se tornou um exemplo da importância da atuação de equipes multidisciplinares altamente especializadas, capazes de tomar decisões rápidas e realizar procedimentos extremamente complexos em situações nas quais a vida do bebê está em risco.

O caso de Lynlee permanece como um exemplo impressionante dos avanços alcançados pela medicina fetal. Uma intervenção realizada ainda no útero conseguiu remover um tumor potencialmente fatal, permitindo que a bebê permanecesse na gestação por mais três meses e tivesse a oportunidade de nascer saudável. 

Medicina fetal: quando salvar uma vida começa antes mesmo do nascimento.
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