UE aprova vacina contra macacos: entenda por que a OMS tomou a decisão de estar em alerta máximo

A Comissão Europeia aprovou nesta segunda-feira (25) o uso da vacina Imvanex, do grupo nórdico bávaro da Dinamarca, contra a varíola em macacos. O anúncio de Bruxelas recebeu luz verde dois dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitir um alerta máximo sobre a doença.

Na última sexta-feira (22), a Agência Europeia de Medicamentos chegou a um acordo para ampliar o uso de uma vacina que é utilizada desde 2013 contra a varíola comum. Em comunicado, a farmacêutica dinamarquesa comemorou a decisão.

"Esta aprovação [do produto] contra a varíola dos macacos é um exemplo de boa cooperação entre as autoridades reguladoras nórdicas e bávaras. O uso padrão geralmente dura de seis a nove meses", observa. Segundo o grupo, a autorização vale para todos os estados membros da União Europeia (UE), além de Islândia, Liechtenstein e Noruega, que não fazem parte do bloco.

Cerca de 17.000 casos da doença foram registrados em todo o mundo, principalmente na Europa. Muitas doenças afetam homens que fazem sexo com outros homens.

Quatro pontos para o macaco

Entenda por que a OMS emitiu o alerta, com quatro perguntas:

1- Quem decide o nível do aviso?

O diretor da OMS é responsável por declarar o incidente uma emergência global de saúde pública. Ele toma decisões com base nas informações que recebe e nos critérios e procedimentos previstos no direito médico internacional. Ele também deve consultar o chamado "comitê de emergência", que consiste em especialistas selecionados com base em habilidade e experiência.

Foi o chefe da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que decidiu colocar o mais alto nível de conscientização sobre a varíola, apesar da divisão de especialistas no comitê sobre o assunto. Nove deles se opuseram à decisão, na frente de outros seis, que defenderam a medida.

2 - O que significa uma emergência global de saúde pública?

De acordo com os regulamentos internacionais de saúde, um alto nível de conscientização corresponde a "um evento raro que representa um risco para a saúde pública em outros países devido ao potencial de disseminação global da doença e à necessidade de uma ação internacional comum".

Esta é a sétima vez que a OMS emite um alerta máximo desde que foi introduzido em 1948. Essencialmente, o isolamento é usado para situações "críticas, urgentes, incomuns ou inesperadas".

3 - Qual é a situação atual da varíola no mundo?

No início de maio, o vírus infectou quase 17.000 pessoas em 74 países, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. A Europa é o continente mais afetado: 3.125 casos foram registrados na Espanha, seguido pelo Reino Unido (2.208) e França (1.567).

Na segunda-feira, o Japão anunciou seu primeiro caso de varíola dos macacos. Trata-se de um paciente do sexo masculino que acaba de voltar do exterior. Sem fornecer mais detalhes, as autoridades japonesas disseram que o paciente foi hospitalizado.

Em geral, a varíola dos macacos é encontrada apenas no continente africano. Desde 1970, os casos estão concentrados em onze países africanos.

Segundo a OMS, "qualquer pessoa que tenha contato físico com uma pessoa com sintomas da doença, ou com um animal infectado, corre alto risco de infecção". No entanto, de acordo com Tedros Adhanom Ghebreyesus, “o aumento de casos se concentrou em homens que fazem sexo com outros homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros sexuais”. Segundo ele, trata-se de um indício de que “é possível travar a propagação desta doença com boas estratégias dirigidas a esta população.

O diretor da OMS também pediu contra a discriminação contra pessoas doentes. Estigma e discriminação podem ser tão perigosos quanto qualquer vírus.

4 - Que medidas foram tomadas para combater esta doença?

Uma vez que um alerta é emitido, ações serão tomadas. “Uma resposta internacional coordenada é fundamental para acabar com a propagação da varíola”, disse o coordenador de pandemia da Casa Branca, Raj Panjabi, em comunicado. Para ele, “é preciso proteger os grupos vulneráveis ​​para que não contraiam esta doença, e combater esta epidemia”.

As autoridades apostam nas vacinas, depois de terem recebido luz verde das agências europeias. Nos Estados Unidos, o agente vacinal Imvanex, comercializado como Jynneos, foi aprovado para uso contra o vírus desde 2019. O país começou a lançar a vacinação. Na verdade, é o único medicamento aprovado para combater a doença no mundo.

Como precaução, a OMS também recomenda que qualquer pessoa que tenha tido contato físico com alguém com o vírus da varíola deve incentivá-lo a se auto-isolar. Outra medida para dificultar a disseminação de patógenos é cobrir as lesões de pele que ele causa.

A OMS recomenda “Lavar roupas, toalhas, lençóis e utensílios de cozinha usados ​​pelo paciente com água quente e detergente, e descartar todos os resíduos contaminados (como bandagens).”.

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