O Procurador-Geral da República, Marty Olavo Kandando, alertou esta segunda-feira (31) no Caxito, província do Bengo, para a necessidade de criar um tribunal marítimo no país para evitar litígios.
Falando em "contencioso marítimo", no segundo dia de consciência jurídica, o procurador, citado pela Angop, opinou que o país deve pensar em criar um tribunal marítimo para se prevenir e não esperar que muitos processos procedam da mesma forma.
“Vários países já o fizeram e recomenda-se que Angola o faça também. O Tribunal Marítimo é uma força do poder judicial que certamente ajudaria a melhorar as condições de vida dos envolvidos no sector e na resolução de litígios caso sejam afetados", explicou.
O procurador apontou ainda para a necessidade de uma maior divulgação dos litígios marítimos, pois muitos desconhecem a existência de uma sala especializada nos tribunais distritais para tratar deste tipo de litígios.
“Muito trabalho precisa ser feito em termos de promoção da sala de contencioso marítimo para que mais pessoas possam vir a este tribunal”, disse ele.
Relativamente à pirataria marítima, esclareceu que a legislação penal angolana apresenta lacunas porque este crime não é uma característica típica, mas existem, no entanto, iniciativas que se propõem a cooperar no seu combate.
As Jornadas de Sensibilização da PGR em Beng visam sensibilizar os residentes para questões jurídicas relacionadas com as alfândegas, a fiscalidade, os litígios marítimos e os direitos do consumidor.
O dia de hoje é dedicado a apresentações sobre segurança alimentar e direitos do consumidor.
Em Bengu, o Ministério Público está representado nos municípios do Dande, Ambriz, Nambuangongo, Dembos, Bula Atumba e Pango Aluquém.
Mais de 200 passaportes para retirar
Duzentos e setenta e oito passaportes aguardam levantamento no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) na província do Bengo contra 130 documentos de 2021.
Nos primeiros 8 meses deste ano, foram emitidos 489 passaportes comuns a cidadãos da província, dos quais apenas 247 foram entregues.
Dos 247, faltavam recolher 36, num total de 278 documentos, informou a Angop Celina Napoleão, responsável pela comunicação institucional e assessoria de imprensa do MSP no Bengo.
Ele justificou a demora na coleta do documento dizendo que foi emitido mais rápido e demorou um mês para ser processado, ao contrário dos três a quatro meses anteriores.
"Já não temos problemas materiais e tratamos os passaportes de forma normal", sublinhou.No mesmo período, segundo ele, foram prorrogados 175 vistos.
Em termos de controlo de imigração, 53 cidadãos foram interrogados e detidos nos primeiros oito meses deste ano, incluindo 35 da RDC por entrada e permanência ilegal e 18 nacionais por facilitar a imigração ilegal.
O Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) regista 1.114 estrangeiros na província do Bengo. Deste número, 654 são titulares de visto de trabalho, 266 são requerentes de asilo, 75 são refugiados, 77 são residentes, 32 têm visto de residência temporária, 3 têm visto concessional, quatro estão detidos na prisão de Caboxa e 5 estão a migrar ilegalmente situação.